História do Município

Fonte: Livro Iepê minha amada e querida de José Candido da Silva Filho


     Famílias Pioneiras - Antônio de Almeida Prado, Francisco Severiano de Almeida, José Lino Santana, João Rudino Santana, Anfrísio Rodrigues, João Antônio Rodrigues, Tertuliano Machado Coutinho 1º Presbítero da Igreja Presbiteriana Independente, em cuja casa iniciou-se a primeira comunidade evangélica de Iepê. Em meados de 1917 chegam Anfrísio Rodrigues e Júlia Coutinho Rodrigues; dez anos depois Antônio Zanoni, em 1934 Germano Gonçalves dos Santos e Leônidas Ribeiro Passos, em 1937 Emiliano Salustiano e no ano de 1938 Antônio Francisco da Silva (Antônio Rosa) e José Cândido da Silva.

     O Sertão dos Patos, onde se localiza Iepê atualmente, era povoado desde o ano de 1917 por algumas famílias. Neste mesmo ano, a Companhia Brasileira de Colonização (responsável pelo loteamento das terras da região), doou dez alqueires de terras para ser fundado o patrimônio de São Roque da Boa Esperança. Este estava localizado no município de Conceição do Monte Alegre, comarca de Campos Novos Paulista, nas proximidades do Córrego do Patos.
     O local desenvolveu-se com o decorrer dos anos, no entanto, os moradores sentiram a necessidade de ser construída uma escola, para que seus filhos recebessem educação formal. Francisco Severiano de Almeida, mais conhecido por Chico Maria, tentando solucionar o problema, procurou os dirigentes locais solicitando autorização para a construção da escola.
     Estes não aceitaram a sua proposta por questões meramente religiosas, pois Chico Maria era protestante e o Patrimônio pertencia à Igreja Católica. Então ele propôs que fundada a escola o professor seria católico. Mesmo assim, a idéia de Chico Maria não foi aceita.
     A situação agravou-se mais ainda quando faleceu um protestante e foi sepultado no cemitério local. Os dirigentes do Patrimônio mandaram cercar o cemitério, deixando do lado de fora o túmulo do protestante.
     Depois do ocorrido, Chico Maria foi à residência de João Santana comunicar-lhe a idéia de fundar um novo patrimônio, onde houvesse liberdade religiosa para todos os credos. Desta feita, os dois dirigiram-se à casa de Antônio de Almeida Prado, sobrinho de Chico Maria. Este, depois de saber dos planos do tio, doou dez alqueires de terra para a fundação do novo patrimônio.
     Em abril de 1923 foi criado o patrimônio de "Liberdade" nas terras recém doadas. No ano seguinte, ocorreu a primeira tentativa de criar o Distrito de Liberdade, mas não deu certo. Somente em 29 de dezembro de 1927 que Liberdade passou a ser um Distrito de Paz, com o nome de Iepê, sob jurisdição do município de Conceição do Monte Alegre. Caio Simões propôs o nome de Iepê, que na tradição lingüística Tupi-guarani significa liberdade, pios já existia no Estado de São Paulo um outro patrimônio com esta denominação.

Proprietários Rurais em 1929!

     Em 05 de julho de 1935, Iepê deixou de pertencer ao município de Conceição do Monte Alegre e passou à jurisdição de Rancharia, permanecendo até o ano de 1944. O distrito, em 5 de agosto de 1940, passou a ser constituído de duas zonas, sendo a primeira zona Iepê, e a segunda Alegria. Iepê só foi emancipada no dia 30 de novembro 1944. Esta data passou a ser comemorada a partir de 1990, pois antes a comemoração era feita no dia 24 de junho, dia de São João Batista, o padroeiro da cidade.

Avenida Paraná da década de 30!

     A instalação do município ocorreu no dia 1º de janeiro de 1945, com a nomeação do primeiro prefeito municipal de Iepê - Dr. Agenor Roberto Barbosa. O município era composto de dois distritos de Paz: Iepê e Agicê (ex-Alegria). Passados quatro anos, nesta mesma data, foi instalada a primeira Câmara Municipal da cidade, tendo como primeiro presidente o Sr. Odilon Amâncio Taveira.


     Em 24 de dezembro de 1948, o Distrito de Paz de Agicê foi desmembrado de Iepê, no entanto, no dia 30 de dezembro de 1953 incorporou o Distrito de Nantes pelo Decreto - Lei nº 2456.


     Em 1963, Iepê teve a sua primeira vara distrital criada, como não foi instalada, revogou-se a lei em 1969. No dia 7 de junho de 1988, foi aprovado, pela segunda vez, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, o Projeto de Lei nº 725/87, a criação da Vara Distrital de Iepê, que foi instalada quatro anos depois.

Entrada da cidade em 1960!

Fatos marcantes de Iepê

     Ao narrar os acontecimentos que marcaram a trajetória de Iepê até esta data, não poderia deixar de citar alguns fatos importantes, como as fatalidades e acidentes ocorridos. Em sua maioria estes fatos aconteceram pela força imponente da natureza, destacando vendavais e fortes enchentes.
     Destaca-se o caso do vendaval ocorrido no dia 25 de novembro de 1978. Os ventos chegaram a atingir cerca de 150 quilômetros por hora, destelhando mais de 400 casas no distrito de Nantes e retorcendo e atirando ao chão duas torres de aço que ostentavam os fios de alta tensão na Usina de Capivara.
     Em 1981 - precisamente dia 10 de novembro, uma forte chuva caiu na região danificando plantações e estradas. Em 1983, as chuvas continuadas no início de janeiro causaram vários danos, inclusive matando três pessoas que moravam próximas ao córrego dos Patos, na Vila Dower.


     Na noite de 5 de janeiro do mesmo ano, a situação foi ao extremo. O estouro de uma represa - que fica num sítio próximo a cidade, descarregando toda a água no córrego dos Patos, e seguiu em direção a Iepê. O rio transbordou, destruindo a residência de Ataliba Paulino da Silva, que morreu junto de sua esposa Sebastiana Benedita da Silva e a vizinha Aurazina Maria Marques.
     Além da cidade ficar ilhada, pois a água passou por cima das duas pontes que dão acesso à cidade, a enxurrada trouxe lama e entulhos que danificaram o serviço de abastecimento de água, inundando toda a área em torno do poço artesiano e da casa das bombas do município.
     Durante esta forte chuva, o Agente Técnico responsável pelo setor de energia elétrica da Rede Vale Paranapanema, Srº Ari Andrade de Freitas, foi chamado para atender um caso de falta de energia do outro lado da cidade. Ao tentar atravessar a ponte da Vila São Jorge, seu "fusca" foi arrastado pelas águas, e por sorte conseguiu se salvar.

Carro quase todo submerso! Agente técnico da EEVP com carro quase todo submerso pela enchente!

     Em 15 de fevereiro de 1997, uma chuva continuada desaguou por cerca de duas horas no município. Foram mais de 120 mm. Este fato ocasionou o transbordamento do Córrego dos Patos, que chegou a subir cinco metros acima do normal. O resultado: a maioria da população ficou ilhada.
     No dia 26 de janeiro de 1989, uma outra tempestade com ventos de mais de 100 Km/h sobreveio na cidade, o que provocou queda de árvores e destelhando em mais de 200 casas. Com o vendaval foi arrancada a cobertura do Departamento Técnico da Cooperativa Agrícola Mista de Iepê - COAMI.
     Outra chuva forte caiu sobre Iepê, no dia 24 de março de 1999. Por conta disto, a cidade ficou ilhada por quase cinco horas, devido ao trasbordamento do Ribeirão dos Patos.
     Em 15 de setembro de 2002 por volta das 17:30 horas, uma grande chuva de granizo caiu sobre o município. O temporal derrubou parte das paredes do Clube Renascer da Terceira Idade (ainda em construção), destelhou várias casas e a cobertura da gerência do aterro sanitário. Até o barracão do Centro de Triagem do Lixo teve suas telhas perfuradas pela chuva. Um dos reflexos causados por esta chuva foi visto na horta municipal e produtores de ovos de codorna, que sofreram grandes prejuízos

Outros acontecimentos!

     Na madrugada do dia 09 de dezembro de 1983, sete presos da cidade de Presidente Prudente recolhidos na Cadeia Pública de Iepê, fugiram. Destes, quatro foram recapturados no mesmo dia.
     No dia 22 de março de 1992, Iepê sediou no Lar dos Velhinhos a fase final do Campeonato Regional de Bochas da Alta Sorocabana.
     No dia 10 de junho de 1992, a juíza do Trabalho Maria Mozzel Castellano, determinou o seqüestro da renda da Prefeitura Municipal de Iepê, para pagar a quantia de 78 milhões de cruzeiros ao antigo contador da prefeitura Aroldo Ramos.
     No mês de abril de 1990 o cantor Enebril, da Dupla Brasil e Brasileiro, passou a se apresentar, semanalmente, aos domingos, no Clube Recreativo de Iepê. Era um programa musical com a apresentação de calouros, concursos de lambada e danças. Este programa era abrilhantado pelo conjunto Mixto Kent e se intitulava "O Domingo é Nosso".
     No dia 30 de outubro de 1991, a Oficina Cultural Regional "Timochenco Webbi" de Presidente Prudente promoveu em Iepê a iniciação à Capoeira de Angola, coordenada por José Newton Lopes Júnior.
     Tatiane Castilho Alves representou Iepê no Concurso Miss Turismo Regional na cidade de Presidente Epitácio. O concurso aconteceu no dia 11 de outubro de 1991.
     No dia 19 de outubro de 1991, Tatiane Castilho Alves representou Iepê, no concurso da Rainha da Primavera na cidade de Paraguaçu Paulista.
     Em 6 de outubro de 1985, dois jovens da cidade de Iepê: Diógenes Zago (Doge) e Nadir Menezes, coordenam um encontro regional na cidade de Presidente Prudente, debatendo temas para elaboração de um documento a ser encaminhado para a Assembléia Nacional Constituinte, representando a Região Sorocabana no Estádio do Pacaembu. O Encontro ocorreu nos dias 26 e 27 de outubro, com a presença de mais de 5.000 jovens de todo o Estado de São Paulo.
     Foi implantado em Iepê o Programa Nossa Caixa Municipal, no dia 17 de setembro de 1985, sendo gerente Antônio Carlos Cherion.
     No dia 30 de outubro de 1987, mesmo sem inauguração, entra em funcionamento o primeiro Terminal Rodoviário da cidade, denominado Terminal Rodoviário "Guilherme Arruda Santa". O local possui uma área de 3.440 metros quadrados, sendo 440 metros de área coberta.
     Conforme o jornal O Estado de São Paulo, do dia 27 de setembro de 1987, Iepê foi classificada entre as sete cidades de maior potencial turístico da Alta Sorocabana.
     Em 1993 foi realizado, no Dia Nacional de Ação de Graças, um culto ecumênico, que contou com a participação das Igrejas Católica, Presbiteriana Independente e do Evangelho Quadrangular.
     No dia 20 de agosto de 1988 foi lançada a Pedra Fundamental para construção do Centro Comunitário pela Associação de Desenvolvimento Comunitário de Iepê.
     No dia 23 de abril de 1988, foi realizado na Fazenda Água de Prata (Distrito de Nantes) de propriedade de Manoel Paula Copertino Ferreira o evento "Um dia de Campo de Algodão".
     Em 17 de julho de 1988, o então prefeito Romeu Belon Fernandes, inaugura 40 casas populares no distrito de Nantes.
     Em Julho de 1988, a Delegacia de Polícia de Iepê recebe três novos funcionários. Foram eles: o escrivão de polícia Waldecir Yoshio Emerich e os carcereiros Jerônimo Soares de Azevedo Sobrinho e Eliseu Ferretti.
     De 19 a 26 de julho de 1988, Iepê recebeu 40 crianças da Escola Capitão Alberto Graffi da cidade de Caieiras - SP. O objetivo da visita foi o cumprimento da programação do Governo do Estado de São Paulo "Redescobrindo o Interior". As crianças ficaram alojadas na Escola Almeida Prado sob coordenação de Jorge Cury.
     Oito novos policiais militares foram destacados para a cidade de Iepê, em maio de 1988: Devaldo Pires do Prado, João Inácio de Lima Neto, Valter Almeida Krug, João Luiz Vítor, Francisco Lopes da Silva, Adamantino Alves de Queiroz, Luiz César Pereira Dalben e Valdir Sabino.
     No dia 10 de janeiro de 1988, a Juventude Católica Iepeense (JUCAAI), realizou na "Escola Almeida Prado" a gincana Quero-Mais, num entrosamento entre a comunidade local e a comunidade de Cândido Mota.
     Depois de mais de 30 anos de proibição de pomares de frutas cítricas na região, em 17 de maio de 1988, foi liberado o plantio no município de Iepê e Rancharia.
     No dia 13 de março de 1989, mais de 50 estudantes universitários liderados pelo também estudante Antônio Arthur Pereira da Silva, reivindicam,. em um abaixo-assinado, o transporte gratuito para estudantes do ensino superior.
     No dia 13 de outubro um avião Cessna 210 da empresa Dimagan, a serviço da Andrade Gutierrez, sumiu no Estado do Pará com cinco passageiros e entre eles Alvino Góes de Oliveira, que era morador de Iepê.
     No dia 31 de agosto de 1977, as Centrais Elétricas de São Paulo - CESP publicaram a concorrência para a venda de três conjuntos habitacionais de casas pré-fabricadas, sendo um no Distrito de Nantes e dois na cidade de Iepê.
     No dia 24 de janeiro de 1982, o Jornal Correio da Sorocabana, de Presidente Prudente, publicou, em primeira página o acórdão resumido do processo de impeachment contra o então prefeito municipal de Iepê, Edmundo de Oliveira.
     No dia 06 de fevereiro de 1984, a Cooperativa Mista Agrícola de Alvorada do Sul (CAMAS) inaugurou em Iepê um entreposto com quatro silos de capacidade de dez mil sacas cada um.
     No dia 22 de abril de 1990, foi realizado no Clube Recreativo de Iepê o FEMUSI - Festival de Música Sertaneja de Iepê. Promovido por Antônio Arthur Pereira da Silva e José Cândido da Silva Filho (Zé Coroinha), teve como vencedores: 1º lugar - Moisés e Messias; 2º lugar Enebril Pinheiro; 3º lugar Antônio Marcos Pereira; 4º lugar Bene e Beninho e no 5º lugar Paulistinha e Mineirinha.
     No dia 14 de setembro de 1991, a Prefeitura Municipal tornou público que requereu a CETESB licença para a instalação de um Mini-Matadouro Municipal.
     Em 14 de abril de 1992, Sueli Aparecida Santana, Maria Aparecida Alves, Márcia Isabel do Carmo Málaque e Rosa de Lima de Alcântara Zakir, requerem com base no artigo 14 da Lei Orgânica do Município de Iepê, o afastamento do prefeito Manoel Batista de Pádua. O motivo principal seria por negligenciar com a saúde pública, fechando o hospital municipal de Iepê, em 28 de novembro de 1991.
     Em setembro de 1993, tendo como líderes as Professoras Cecília Beni Leão e Juraci Ramos da Silva da escola "Almeida Prado", é lançado o Projeto Verão que consiste em realizar a coleta seletiva do lixo no município.
     Na semana de 1 a 7 de agosto de 1996, mais de mil alunos participaram da semana do estudante promovida pela Delegacia de Ensino de Rancharia.
     Junho de 1996 a Escola Estadual de 1º e 2º Graus Antônio de Almeida Prado adota o Projeto Sala Ambiente que consiste em adotar salas decoradas de conformidade com a matéria.
     No dia 29 de março de 1996, foi inaugurada em Iepê a 288ª Ciretran.
     Primeiro de dezembro de 2001, o prefeito municipal entrega o prêmio ao vencedor do concurso que escolheu o nome do Parque Ecológico Auriverde, ao aluno Guilherme Moreira da Silva, da 3ª série da Escola Municipal "João Antônio Rodrigues".
     Em novembro de 2001, os alunos do professor de Matemática Antônio Arthur Pereira da Silva, Murilo da Silva Paiano e Vinícius Braga Trombeta da 6ª série da Escola Almeida Prado, conseguiram medalhas de prata e bronze respectivamente nas Olimpíadas de Matemática em São Paulo, destacando-se entre os 40.000 alunos de 957 escolas públicas.
     A Prefeitura Municipal de Iepê em parceria com o SEBRAE, realiza no dia 15 de abril de 2002, uma reunião para implantar o Plano de Desenvolvimento Turístico no município.
     Em maio de 2002, a Prefeitura Municipal de Iepê adquire o prédio do Banco Nossa Caixa por 145 mil reais, para instalação e funcionamento da Prefeitura. Isso porque depois que a Agência da Nossa Caixa foi fechada, o prédio estava abandonado há mais de 6 anos.
     No dia 06 de julho de 2002, às 10:00 horas, é realizado no plenário da Câmara Municipal de Iepê, o primeiro Júri Popular para julgamento do réu Elias Ramos Pereira, presidido pelo juiz Valdir Ricardo Lima Marinho.

Acontecimentos inusitados!


O Episódio da Freira (História de cinema!)

     No final do mês de fevereiro de 1997, apareceu no município de Iepê uma senhora de 69 anos e que dizia ter 59. Seu nome era Maria do Socorro Soares de Oliveira, nascida em Bezerros (PE). Ela ficou hospedada na residência de Angelina Alves de Mira que a conhecera há cerca de dois meses no Terminal Rodoviário de Presidente Prudente.
     Maria do Socorro dizia ser religiosa (leiga consagrada) e vestia como tal. Devido a isso ficou logo conhecida como a "freira". Disse ela que era de uma família muito rica no Nordeste e que tinha recebido uma grande herança de sua família, no qual pretendia distribuí-la aos necessitados. Diante da generosidade da "freira" houve uma verdadeira revolução na cidade e um policial civil chegou a ligar na Delegacia de Polícia da cidade de Bezerros- PE para confirmar sobre a existência de tal família da "freira".
     Da Delegacia de Bezerros ele recebeu a resposta de que a família realmente existia, mas que também era muito rica e muito reservada, chegando a descrever que a residência da família abrangia um quarteirão inteiro, cercado de muros altos. Face a essa informação a cidade aumentou ainda mais a credibilidade na tal "freira", que aproveitou o ensejo para angariar a simpatia de várias pessoas de influência na cidade, inclusive do então vigário Padre Agenor.
     A isso juntou-se os casos que ele contava na cidade sobre as famílias lá de Pernambuco, e que eram confirmados por gente que veio de sua cidade natal em Pernambuco.
     Face a tantas coincidências, a "freira" obteve prestígio e credibilidade entre os iepenses. Por conta disto começou a comprar muitos imóveis e imediatamente doá-los a algumas famílias.
     Ela se apresentava como promitente compradora e após negociar o imóvel, embora sem dar nenhuma entrada, solicitava o número da conta do vendedor, seu endereço e alegava que o dinheiro seria remetido por sua irmã e depositado diretamente na conta do vendedor no dia 20 de março do ano corrente.
     Com a notícia das compras e doações que a freira vinha fazendo, houve uma grande aglomeração e tumulto na residência onde ela se hospedava, chegando no dia 17 de março, haver interferência da polícia local.
     Cumpre ressaltar que ante o tumulto causado pela multidão que ocorria aos préstimos da freira, alguns policiais civis e militares se ofereceram nas horas vagas, para gratuitamente fazer a segurança da freira.
     Há de se lembrar ainda que além dos seguranças que serviam a freira, houve gente que abandonou o trabalho, para se colocar a disposição da freira como motorista.
     Alguns restaurantes serviam pratos típicos do Nordeste gratuitamente para a freira, houve um restaurante que até inventou um prato típico denominado "bacalhau da freira" que era constituído de um polpudo bacalhau com um suculento molho de leite de coco.
     No dia anterior ao marcado para chegar o dinheiro, isto é 19 de março de 1997, Socorro disse que teve problemas com a liberação do dinheiro, pois a quantia era muito grande, e o dinheiro seria remetido no dia 24 (segunda-feira).
     Por mais dois dias, 20 e 21, a freira continuou as compras e doações. No sábado dia 22 de março a freira almoçou na residência de Elisabete Dias (Bete Cearense) e após o almoço a freira fez um balanço das compras e doações e confidenciou que o volume de negociações ultrapassou a casa dos oito milhões de reais.
     Depois disso a freira dirigiu-se ao sítio mais próximo de Iepê, onde ficaria descansando para viajar no outro dia e se encontrar com sua irmã no Aruá Hotel na cidade de Presidente Prudente.
     Dona Angelina acompanhou a freira até Presidente Prudente, mas ela não se dirigiu ao Aruá Hotel e disse que queria ir até a cidade de Pedrinhas Paulista, para se despedir da filha e do genro de Dona Angelina.
     No domingo dia 23 de março, a freira resolveu voltar para Presidente Prudente, mas desta vez sozinha. Ela avisou que iria encontrar sua irmã que traria o dinheiro e não queria acompanhante.
     Antes de usar o telefone para falar com sua irmã, fez como sempre, exigindo que todos saíssem de perto. Geraldo, genro de Dona Angelina, desconfiado de tanto mistério resolveu tentar uma escuta. Percebeu então que ela falava sozinha e ao tentar a rediscagem da memória do telefone ficou sabendo que ela não ligara para lugar nenhum.
     Quatro pessoas da cidade de Iepê: Bete Cearense, Ailton Gonçalves (Alemão), Rubens Seródio e João Artur Alves de Mira (filho de Dona Angelina), que se encontravam na cidade de Pedrinhas Paulista, deixaram que a freira saísse e tomasse o ônibus.
     Eles seguiram a freira em um carro particular até Presidente Prudente. No terminal Rodoviário de Presidente Prudente, Ailton Gonçalves (o Alemão) que não era conhecido pela freira, seguiu-a de perto e viu ela comprar uma passagem para Aparecida do Norte.
     Alemão ligou para a polícia que deteve a freira para averiguação. Porém nenhum crime foi constatado e a freira após ser ouvida foi liberada. Dona Angelina que a hospedou sofreu alguns prejuízos, mas acabou compadecendo-se da freira que ao que pareceu sofria das faculdades mentais, embora com facilidade de expressão e de convencer facilmente as pessoas que a vê pela primeira vez.
     Mesmo sem dar qualquer sinal de entrada a freira agitou o mercado financeiro imobiliário, pois ela adquiriu muita credibilidade e prometia sempre pagar o preço acima do mercado.

Freira?! "A Freira"

     Na cidade, muita gente, inclusive autoridades e pessoas influentes, esperavam a chegada do dinheiro, pois tinham feitos negócios com a freira. As promessas foram as mais diversas possíveis desde compra de gado até fazendas, terrenos, veículos, tratores, imóveis residenciais e casas comerciais. Tudo foi comprado e depois doado as mais diversas pessoas de seu círculo de amizades que formou nos 28 dias que permaneceu em Iepê. No outro dia a cidade acordou do pesadelo. Dois poetas populares a anônimos registram o fato em panfletagem.

O Falcão Peregrino (Voou dos Estados Unidos até próximo a Iepê!)

     No dia 31 de outubro de 1991, por volta das 14h foi encontrado por Severino Ferreira , no sítio Pindaiva, em Nantes, uma ave da espécie Falco Peregrinus Anatum (Falcão peregrino). A ave migrou dos Estados Unidos para a América do Sul, voando mais de dez mil quilômetros. Exausto e ferido pousou em nosso Hemisfério Sul, fugindo do inverno rigoroso feito nos Estados Unidos.
     É a segunda vez que um pássaro dessa espécie é encontrado na região. A espécie está ameaçada de extinção, tendo apenas 1.500 desses pássaros no mundo. O falcão tinha uma anilha em sua pata direita com os seguintes dizeres: "Avise Bird Band Write Washington DC USA 1807-20797". A ave foi apresentada na Delegacia de Polícia de Iepê, encaminhada para Presidente Prudente e de lá levada de avião para São Paulo, em 13 de novembro de 1991.
     Mobilizaram-se dezenas de pessoas e aparatos, sendo que até o então Presidente dos Estados Unidos, George Bush, foi avisado. O vice-presidente da Associação de Preservação da Vida Selvagem, Johan Dalgas Frisch, disse que iria pedir a ajuda do Presidente Fernando Collor de Mello, pois era a única forma de evitar a burocracia e permitir que a ave voltasse ao seu habitat natural e assim fosse curada.

Falcão Peregrino! Falcão Peregrino!

     Devido o seu estado de saúde, deveria permanecer em convalescença por 20 dias. O falcão foi hospedado em uma gaiola no alto de uma cobertura no bairro do Morumbi, em São Paulo. Ao final desse período seria transferido para uma fazenda. Até 24 de novembro de 1991, ainda não tinha retornado aos Estados Unidos.

O Desmembramento de Nantes (Uma nova cidade surge na região!)

     Quando Nantes ainda pertencia ao município de Iepê, foi alvo de manchete internacional no jornal Presse-Ocean, da cidade de Nantes na França. Esta nota repercutiu no Brasil, sendo manchete também de veículos nacionais como no Jornal Nacional, da Rede Globo.
     A Comissão de Assuntos Municipais da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou no dia 21 de julho de 1991, o Projeto de Resolução n.º 79/91 do Deputado Estadual Mauro Bragato, autorizando a emancipação política do Distrito de Nantes.
     Entre os presentes no ato da aprovação encontrava-se Romeu Belon Fernandes (ex-prefeito de Iepê), Higino Nunes da Silva, Trajano de Souza, Arconso Taveira Barbosa, Alceni Alves da Silva, Edmur Ribeiro de Castro e Antônio Ezídio da Silva Filho. A comissão pró emancipação do Distrito de Nantes, contou com o apoio integral do Delegado de Polícia de Classe Especial, Wander José Maia, que é proprietário rural naquele distrito.
     No dia 21 de maio de 1995, houve o plebiscito para a emancipação. Cerca de 90,4% da população aprovou a autonomia político-administrativa de Nantes, ou seja 803 votos favoráveis. Dos 1200 eleitores existentes no distrito, 912 compareceram às urnas. Apenas 80, disseram não a emancipação. Houve 23 votos em brancos e 6 votos nulos.
     No dia 20, véspera da votação, quando já havia encerrado a propaganda eleitoral, foram apreendidos pela Polícia Militar mais de 2000 folhetos contrários a emancipação, que se encontravam nas residências de José Higino de Freitas e do vereador Manoel Copertino de Paula.
     Tendo sido aprovado o plebiscito para autonomia de Nantes, no dia 27 de dezembro de 1995, o então governador do Estado de São Paulo Mário Covas sancionou a Lei nº 9330, que criou o município de Nantes.

Manifestações e Passeatas (Brigando por um País melhor!)

     Desde a sua fundação a população de Iepê buscava a liberdade, seja ela religiosa, de expressão e até mesmo política. O grito de justiça cultivado pelo sentimento de ser livre, caracterizou num povo que luta pelos seus ideais, mesmo que para isso tenha que ir às ruas protestar.
     Uma destas manifestações que marcou a história da cidade foi em favor ao impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. O ato foi liderado por estudantes principalmente da Escola Antônio Prado, em setembro de 1992.
     Os 'caras pintada' foram às ruas da cidade com os rostos pintados de verde e amarelo, vestidos de preto pedindo a saída de Collor, da cadeira de Presidente da República.
     Olimpíadas Estudantis - outro protesto que marcou a história da cidade, foi em 06 de setembro de 1994, quando cerca de 400 alunos da Escola Almeida Prado fizeram uma manifestação liderada pelo presidente do Grêmio Estudantil José Joaquim Damásio Neto. O protesto pedia a realização da Olimpíada Estudantil naquela escola, que tinham sido abolida pelo supervisor de ensino Laércio Boin.

Transportes (Navegar é preciso!)

     A formação do lago de Usina Capivara interrompeu o fácil acesso da cidade de Iepê ao Estado do Paraná, que era facilitado pela travessia da ponte sobre o rio Paranapanema, construída na década de 50 até a cidade de Alvorada do Sul. A distância entre as duas cidades ficou de 23 quilômetros para 90 km.
     Os administradores dos dois municípios vizinhos Iepê - SP e Alvorada do Sul - PR, implantaram em 1985 um sistema de ferry-boat navegável pelo lago, para reduzir o percurso em mais de 50 Km. O sistema funcionou poucos meses e logo foi desativado pela companhia de navegação sob alegações de que o transporte era financeiramente inviável.

Destaques

     CIDADÃOS IEPENSES - A Câmara Municipal de Iepê, outorgou através de Decretos Legislativos vários títulos de cidadãos iepenses. São considerados cidadãos iepenses: Mauro Bragato, Dr. Raul Silveira Simões, Devaner Masi, Reverendo Jonas Dias Martins, Dr. Severino Batista de Carvalho, padre Conrado Scherer, Dom José Lázaro Neves, Jorge Dower, Álvaro Coelho, Felipe Aleandro Battilani, Dr. Luiz Agnaldo de Mattos Vaz, Dr. José Luiz Cembranelli, Dr. Alberto Policaro, Raquel Volpato Serbino e João Antônio Rodrigues.
     CIDADÃOS HONORÁRIOS - A Câmara de Iepê outorgou também através de Decretos Legislativos vários títulos de Cidadãos Honorários, como: Dr. Joaquim de Jesus Botti Campos, Padre Agenor Cavarçan, Reverendo Paulo José de Carvalho Pires e Jorge Bassil Dower.

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